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11/05/2016

Comunicação não Violenta - Dois encontros com Beth Cerri

Imersão na teoria e na prática da Comunicação não Violenta.

Quantas vezes dizemos alguma coisa sem querer que machuca o outro? Quantas vezes escutamos algo que parece cortar a nossa pele? As palavras são assim, elas carregam uma força, um significado, uma intenção e um peso muito grande. Palavras simples podem causar um grande estrago e uma conversa que se inicia com uma boa intensão, pode acabar se transformando em uma comunicação extremamente violenta. Não só as palavras, mas as pessoas também são assim. Elas são carregadas de sentimentos, elas se sentem feridas e seguindo o impulso de se defenderem, acabam ferindo, na mesma moeda de troca. No meio de tudo isso, percebemos o seguinte: as palavras e as pessoas estão coladas, como carne e unha. O que precisamos fazer então? Compreender, por trás das palavras, a pessoa. Trabalhar, a frente da pessoa, a comunicação. E é disso que se trata a chamada Comunicação Não Violenta (CNV), sob a qual os nossos projetos vem sendo desenvolvidos e na qual nossa equipe vem mergulhando.


A CNV, criada pelo psicólogo norte-americano Dr. Marshall Rosenberg, é um processo de entendimento que coloca num mesmo plano as nossas necessidades e as necessidades dos outros, integrando-as de modo harmônico por meio do exercício da empatia. Ela nos convida a mudar de lugar e enxergar sob a perspectiva do outro em prol da relação entre essas duas pessoas que possuem diferentes históricos, distintas dificuldades, sentimentos, personalidades e necessidades. A CNV trabalha a linguagem como forma de construir uma relação de confiança com o outro, possibilitando a cooperação e o apoio entre os envolvidos em determinada comunicação ou relação. A palavra, aparece aqui, como um suporte para aquele que escuta e como um espaço para aquele que fala e sente a necessidade de ser compreendido.


Nas semanas passadas tivemos o privilégio de receber a Beth Cerri, fundadora da Escola Waldorf Francisco de Assis onde esteve na Liderança e foi Professora Waldorf por 17 anos, iniciou seu caminho na Pedagogia Social em 1997 e hoje, entre outros trabalhos realiza  treinamentos em CNV para Líderes de equipes em Organizações e Instituições Educacionais. Além dela, outras sete mediadoras, apelidadas carinhosamente de "as MMs", a acompanharam e nos auxiliaram no desenrolar das atividades.



Os dois encontros, que aconteceram nas segundas-feiras do dia 25 de abril e do dia 2 de maio, foram realizados em um dos núcleos do qual somos parceiros: o CCA que fica em Marsilac, região da extremo Zona Sul. Um lugar onde há muito verde e pouco cinza e onde não há sinal telefônico, ou seja, os celulares ficam esquecidos no fundo da mochila e aproveitamos a oportunidade para experienciar uma conexão mais real que há pouco estamos deixando se perder.


Foram dois dias cheios de atividades bem direcionadas, seguidas de conversas nas quais éramos incentivados a compartilhar o que havíamos percebido e aprendido em cada momento. Trabalhamos a escuta, o posicionamento de nossas falas, a comunicação sendo contaminada por outras vozes, o compartilhamento de nossas histórias, de nossos sentimentos, de nossas visões; o cuidado com o outro, o cuidado com nós mesmos, a definição de nossos sentimentos, a empatia por aquele que nos feriu e ainda nos fere, o registro de nossas percepções sobre o que aprendemos, entre outros aspectos e conceitos.


Se a primeira segunda-feira foi de sol escaldante, calor, expansão, expressão e até com direito a um pulo na cachoeira naquela sobrinha de tempo do horário do almoço, o segundo encontro foi de frio com um tímido sol, introspecção, calma, escuta mais presente, olhar mais acolhedor. Não teve melhor nem pior dia. As diferenças que percebemos foram marcas de um processo que começou assim, com dois encontros e que continua a caminhar lado a lado com a nossa consciência, com a nossa percepção sobre nossas palavras, sobre nossas atitudes, sobre nosso trabalho com as crianças e adolescentes que precisam tanto dessa atenção e cuidado que estamos aprendendo a ter, tanto para fora, com o outro, como para dentro, com nós mesmos.


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